Pitadas de ciência permeando o universo que habito. A ciência é o prato principal, ou talvez não. Irás encontrar muito tempero: música, política, cinema, literatura, filosofia, cerveja, vinho, nerdices e alguns de meus dramas. Bem vindo ao meu universo particular! DIVIRTA-SE SE PUDER!
"Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura." - Charles Bukowski
31.8.12
Olhos de saudade
Aqueles olhos a me olharem com tanta saudade mesmo antes de deixá-la. Ah aqueles olhos, nunca conheci alguém mais expressiva do que ela. Aqueles olhos contavam-me tudo. Eram francos. Podia-se ver sua alma, se assim ela deixasse. E ela me permitiu, vi tamanha paixão, tanta liberdade, uma coragem que assustava e muito medo, vi muito medo naquela menina de cabelos vermelhos.
A vontade e a pressa que ela tinha de viver, me entorpeciam, me sufocavam e me viciaram. Se eu pudesse eternizar algum momento, voltaria sempre para a sua cama. Fomos tão cúmplices, tão verdadeiros. Éramos um ao outro tudo que queríamos. Voltaria àquelas noites que dormia com ela pressa em meus abraços. Ela tão doce, tão menina, tão segura e tão frágil. Estava machucada, queria a felicidade.
E eu, bom eu sabia que tudo tinha data pra acabar. eu lhe avisei, em breve vou embora, Anna não se importou. Disse-me: - Quero apenas viver ao teu lado o tempo que ainda nos resta. Mas ela queria tudo, queria desvendar minha alma, exigia-me meus medos, me exigia, enquanto estivesse com ela. Eu admirei sua coragem. Mas fiquei com medo. Resolvi deixá-la na esperança que meu sofrimento fosse reduzido.
Ela me esperou naquela noite com lírios na mesa. Uma massa quatro queijos e uma garrafa de vinho. Queria uma despedida inesquecível. E foi. Jantamos. Assisti meu filme favorito com ela entre meus braços, beijando sua orelha e acariciando seus seios. Ela me olha e seus olhos me imploram pra ficar. Pra tê-la sempre assim segura, cuidada, amada em meus braços. Meus olhos marejaram, eu disfarço.
Ela me levou até o portão, fez questão, queria saborear cada segundo que lhe restava pra me absorver. Beijou minha orelha e falou baixinho que nunca me esqueceria, que sentiria falta de acordar na madrugada comigo acariciando seus cabelos longos. Parti, parti querendo ficar. Querendo que ela fosse só minha. Querendo que ela nunca me deixasse. Querendo ter a certeza que se a tivesse ela nunca me deixaria.
Aqueles olhos de saudade a me chamar.
30.8.12
O que eu diria pra mim com 12 anos?
O que eu diria a Kelen com 12 anos? Diria pra ela não ter rancor de seus pais que a fazem trabalhar desde tão nova. Diria pra ela que graças a isso ela aprendeu a valorizar o que adquiri com seu próprio esforço. Diria a ela a escutar e não apenas ouvir as pessoas mais velhas. Que as aulas de inglês lhe farão falta no futuro. Diria a ela pra não ter pressa, que tudo tem seu tempo pra acontecer. Diria que ela é mais fraca do que pensa e ao mesmo tempo muito mais forte do que ela é capaz de imaginar.
Diria que o mundo é machista, mas ela não precisa mostrar que é melhor do que ninguém pra ser aceita. Diria a ela pra brincar mais, sonhar mais, viver mais. Tomar mais banhos de chuva. Pra correr mais riscos. Que a vida não tem uma fórmula ou uma estrada pra ela percorrer, mas que essa estrada será construída por esforço próprio. Diria a ela pra não ser tão séria, e tão exigente consigo mesma.
Que seu coração é delicado e ele será muitas vezes machucado. E que ela também vai machucar as pessoas, e isso é normal, faz parte da vida. Porque não podemos controlar as expectativas dos outros, e que o sentimento de culpa só nos amarra as pernas. Diria que sentir medo é natural, e não a enfraquece, apenas a torna humana.
Se eu pudesse encontrar com ela, diria pra continuar do mesmo jeitinho com muita curiosidade, muita energia, e se apaixonando sempre pela vida. Diria pra não se assustar consigo mesma. Que pensar é a maior de todas as qualidades que ela possui, e que ela aprenderá a admirar isso nela.
Sabe de uma coisa se eu pudesse conversar comigo ao 12 anos eu não diria nada. Eu deixaria a vida me ensinar tudo isso, para que um dia eu pudesse ter orgulho da estrada pela qual eu caminhei. Eu apenas lhe sorriria e passaria a mão na cabeça. Diria apenas: nunca deixe de subir em árvores menina!
29.8.12
Olhos negros
Depois de seis meses finalmente resolvo ceder aos seus convites. Combinamos de almoçar no shopping que ele trabalha, amanhã. Vou ter que ir até Porto Alegre para um compromisso pela manhã, já aproveito pra revê-lo. Mas a mágoa ainda não passou. Meu coração ainda está ferido ainda sinto-me usada. Sei que o sentimento que ele nutre por mim é verdadeiro, porém algo sempre me alerta para a possibilidade dele tentar tirar proveito de mim. Não sei ao certo o que ele pretende. Já me disse que não quer namorar, eu já pensei na possibilidade confesso. Acho desafiador andar com ele a tira colo. Um "Negro" lindo, corpulento. Por vezes acho que sou eu a abusar dele.
Um menino em um corpo de homem. Travando por vezes as mesmas guerras que eu. Ele quer trabalhar em uma grande corporação, ganhar bem. A sociedade conseguiu atraí-lo com suas teias, ele acha que um bom salário lhe garantirá felicidade. Ao passearmos pelo Iguatemi eu lhe digo: eu prefiro à autonomia à estabilidade. Ele me responde: é bem teu tipinho: mandona! Fico pensando, é bem meu tipinho mesmo, mas prefiro à autonomia de poder mandar em mim à estabilidade de um bom salário, que me confina, me engessa. Eu lhe digo: já pensei assim, e lhe mostro a língua.
Mandei uma mensagem ao chegar no shopping: estou na frente da cultura. Quando o vi chegar, não era ele, era outro. Eu era outra. Ele não me olha mais como antes, me olha sem interesse, sem curiosidade, como pode ainda querer me ver? Se me vê e não me enxerga? Será que eu o enxergo? Já o julguei errado tantas vezes. Já pensei que ele só queria festa e vida mansa. Mas não, terminou o curso técnico, e antes do fim já era funcionário de carteira assinada. Um bom estágio, lhe rendeu frutos.
Aqueles olhos tão negros já me disseram tanto, hoje não me dizem nada, será que é o meu reflexo? Será que meu olhar também mudou? Queria por um instante voltar a noite que nos vimos pela primeira vez e vê-lo passar de novo com aquela camiseta branca, ouvir de novo sua voz grossa em meu ouvido, mas principalmente ter aqueles olhos cheios de esperança e curiosidade a me enxergar novamente.
E nos despedimos de volta na cultura, como dois estranhos que nos tornamos. Porque talvez sejamos isso dois novos estranhos. E a cada novo reencontro seremos estranhos novos.
28.8.12
O que eu quero? réplica
Depois de um ano e meio passados do texto postado anterior, me surge esse, que já está parte escrito em folhas de papel. Surge, como o título já diz, uma réplica de uma Kelen mais madura, mais segura e mais tranquila consigo mesma. Mas ainda muito inquieta, e apaixonada, mas que se respeita mais apesar de suas imperfeições. E que se pergunta a cada novo texto: Será que um dia conseguirei eu colocar as minhas angustias em algum personagem?
O que eu quero? O que eu quero hoje?
Hoje eu gostaria de viver em um mundo diferente, num mundo onde houvesse liberdade. E que a suposta liberdade que temos não fosse simplesmente uma realidade inventada, uma falsidade vendida. Gostaria de viver numa democracia de fato e de direito e não nesta ditadura mascarada de democracia, que nos é imposta goela abaixo.
Queria viver em um país livre, em que o voto, ou a eleição de um governante significasse que a partir de então passaria-se a viver regido por um plano de governo que tivesse a cara, a impressão digital dessa pessoa, ou mesmo do seu partido político.
Viver em um mundo onde as diferenças fossem cultuadas, as diversidades fossem vistas com encantamento. Gostaria de não ser tratada como uma cabeça de gado. Que o mundo não fosse massificado.
Hoje estou em paz com aquele sentimento de revelação do texto anterior. Hoje sinto prazer em pensar. Pensar o mundo, pensar minha existência, pensar quem sou pra mim, pensar quem sou para os outros. Hoje sinto prazer da dificuldade que tive para ser eu. Hoje admiro a minha capacidade de não simplesmente "fazer algo", mas pensar a respeito. De tentar traçar o meu caminho e não seguir uma rota pré definida. Hoje estou em paz com minha mente pulsante, estou em paz com o que fiz de mim, com o que estou fazendo de mim.
Ainda quero mudar o mundo, e sei que isso não depende apenas de querer, mas isso não me impede de querê-lo ainda mais. E não me apequena frente ao futuro incerto, não me cala. Hoje deixo-me ser, e mais do que isso aceito-me tal como sou.
Lembro-me de uma frase que fiz há uns meses em uma conversa tentando explicar a situação que vivia frente ao meu retorno a casa de meus pais. Eu quis o mundo e me perdi, voltei pra casa e encontrei meu mundo. Hoje sei que meu mundo eu carrego dentro de mim. E isso me basta, melhor é suficiente.
O que eu quero? O que eu quero hoje?
Hoje eu gostaria de viver em um mundo diferente, num mundo onde houvesse liberdade. E que a suposta liberdade que temos não fosse simplesmente uma realidade inventada, uma falsidade vendida. Gostaria de viver numa democracia de fato e de direito e não nesta ditadura mascarada de democracia, que nos é imposta goela abaixo.
Queria viver em um país livre, em que o voto, ou a eleição de um governante significasse que a partir de então passaria-se a viver regido por um plano de governo que tivesse a cara, a impressão digital dessa pessoa, ou mesmo do seu partido político.
Viver em um mundo onde as diferenças fossem cultuadas, as diversidades fossem vistas com encantamento. Gostaria de não ser tratada como uma cabeça de gado. Que o mundo não fosse massificado.
Hoje estou em paz com aquele sentimento de revelação do texto anterior. Hoje sinto prazer em pensar. Pensar o mundo, pensar minha existência, pensar quem sou pra mim, pensar quem sou para os outros. Hoje sinto prazer da dificuldade que tive para ser eu. Hoje admiro a minha capacidade de não simplesmente "fazer algo", mas pensar a respeito. De tentar traçar o meu caminho e não seguir uma rota pré definida. Hoje estou em paz com minha mente pulsante, estou em paz com o que fiz de mim, com o que estou fazendo de mim.
Ainda quero mudar o mundo, e sei que isso não depende apenas de querer, mas isso não me impede de querê-lo ainda mais. E não me apequena frente ao futuro incerto, não me cala. Hoje deixo-me ser, e mais do que isso aceito-me tal como sou.
Lembro-me de uma frase que fiz há uns meses em uma conversa tentando explicar a situação que vivia frente ao meu retorno a casa de meus pais. Eu quis o mundo e me perdi, voltei pra casa e encontrei meu mundo. Hoje sei que meu mundo eu carrego dentro de mim. E isso me basta, melhor é suficiente.
O que eu quero?
Achei este texto que escrevi enquanto passei uns meses isolada no litoral. Estava tentando me encontrar e destravar a minha tese de doutorado. Bom gostei do que escrevi, achei prudente postá-lo neste espaço que amo mais a cada nova postagem. Aproveitem, se puderem!
Hoje entendo muito melhor o que eu sentia neste momento. E o texto merece uma continuação. Ela virá, aguardem!
Fico brigando incessantemente comigo mesma. Queria parar de brigar tanto, e simplesmente fazer o que precisa ser feito, fico me lembrando daquele slogan da Nike "Just do it", apenas faça, apenas faça o que precisa ser feito. Apenas faça. Sempre que me lembro desse slogan, faço uma associação direta com o filme Do que as mulheres gostam, com a excelente Helen :Hunt e o Mel Gibson, acho aquela apresentação do comercial da Nike maravilhosa, mas ali o slogan é um pouco diferente: Nike no games, just sport. Tentei procurar a cena no youtube, mas por alguma razão ele resolveu me sabotar e não consegui anexar o vídeo aqui.
Hoje entendo muito melhor o que eu sentia neste momento. E o texto merece uma continuação. Ela virá, aguardem!
Fico brigando incessantemente comigo mesma. Queria parar de brigar tanto, e simplesmente fazer o que precisa ser feito, fico me lembrando daquele slogan da Nike "Just do it", apenas faça, apenas faça o que precisa ser feito. Apenas faça. Sempre que me lembro desse slogan, faço uma associação direta com o filme Do que as mulheres gostam, com a excelente Helen :Hunt e o Mel Gibson, acho aquela apresentação do comercial da Nike maravilhosa, mas ali o slogan é um pouco diferente: Nike no games, just sport. Tentei procurar a cena no youtube, mas por alguma razão ele resolveu me sabotar e não consegui anexar o vídeo aqui.
Tomar consciência a respeito de quem se é só complicou a minha vida. Quando eu não pensava se estava fazendo o melhor possível, qual a relevância de quem eu sou, eu apenas produzia. E lendo o que escrevi, analisando o que fiz até hoje, quer dizer até dois anos e meio atrás, tenho um parecer positivo. O que eu fiz da minha vida foi bom. Então porque eu não consigo mais fazê-lo? Me questiono se essa é a pergunta certa a ser feita, eu não consigo? ou eu não quero? Mas se não quero, não quero porque o quero melhor, ou porque quero outras coisas? Eu não sei essas respostas, me questiono isso há quase três anos e até agora não encontrei as respostas.
O que eu quero?
Hoje o que eu quero é parar de competir comigo, parar de ficar procurando a melhor versão de mim mesma, e apenas me deixar ser o que eu sou hoje, sem rivalidades mesquinhas, sem campeonatos para serem vencidos, apenas jogar o jogo da vida, por puro esporte. E lá vem aquele sentimento de competição me martelando na cabeça: mas não te esquece mesmo jogando futsal tu sempre dá o melhor de ti para fazer o melhor possível. Heureca! Eu sempre faço o melhor possível naquele dia, isso não significa que o melhor daquele dia é o melhor da minha vida. Quem sabe não é por aí o caminho...
27.8.12
Cântico Negro
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
PS: Meu amigo Thiago Silva me mostrou essa poesia na
sexta-feira, e foi um amor instantâneo! Obriguei-me a postá-la aqui e tê-la
sempre ao meu alcance. Obrigada Thiago! A interpretação de Maria Bethânia é
outro presente!
Boa Semana!
26.8.12
Eu escrevo pra entender
O fato de me dedicar a escrever tem me trazido tanta paz, que me leva a pensar porque tenho gostado tanto desse processo, e sentido muita necessidade de manifestar minhas ideias em forma de palavras escritas. Ao ouvir o grande mestre Saramago, em sua última entrevista para o programa Roda Viva da TV cultura, ele disse entre outras coisas, "A literatura não serve pra nada" ,"Eu não escrevo com a pretensão de causar alguma mudança". E ele disse ainda " Eu escrevo pra entender".
Acho que a paz que eu encontro é justamente essa a de entender. De compreender melhor o mundo que vivo, de compreender melhor as pessoas ao meu redor, de entender melhor as minhas reações, meus valores, minhas culpas, meus medos. Escrevo pra entender o que eu escrevo. E desde que tenho deixado os textos simplesmente acontecer, assim como faziam os grandes mestres como Saramago e Clarice Lispector, que diz: "Eu me deixo ser" tenho tido mais paz.
Tem outra frase do Saramago, extraída desta entrevista que não me abandonou ao longo de todo o dia: " Eu não alimento discussões, não respondo a críticas e não entro em debates" perguntado porque ele responde: "você já viu ao final de alguma discussão uma das partes concordar com a outra?" Já inclui na minha lista de livros a serem adquirido e lidos: Ensaio sobre a cegueira e ensaio sobre a lucidez.
Bom Domingo!
21.8.12
Diálogo em torno de: paciência, medo, medo e paciência!
- Amigo:
tu te descreve com adjetivos como sensualidade, paixão, inconformidade, energia, exigência, medo, impaciência... dá um placar de 5 x 2 para adjetivos bons, que dão a base para que um indivíduo viva de forma útil, feliz, e contribuitiva... seja para sí próprio ou para os outros...
- eu não concordo que dê 5X2 pra adjetivos bons... na verdade todos eles são pesados pra mim
- as coisas estão muito difíceis...
Será que um dia verei como 5X2?? Será que um dia vou conseguir deixar a anarquia?
18.8.12
Hoje é um dia bom pra se morrer...
Autor: Carlos Omar Villela Gomes
Hoje é um dia bom pra se morrer...
Pensou repentinamente, sentindo a alma nos olhos...
Assuntou consigo mesmo na paz da varanda antiga...
Segredou com o silêncio que lhe fazia costado.
Hoje é um dia bom pra se morrer...
Ruminou quieto ao balanço da cadeira
Que lembrava o trote de um cavalo manso
Recorrendo o céu dalguma sesmaria.
Levantou, mirou o dia,
Que contava histórias de um tempo velho
No murmulhar da sanga, no bailar dos pássaros,
No beijar do vento sobre as casuarinas...
Matizou de sol as pálidas retinas
E assistiu a paz lhe comover.
Hoje é um dia bom pra se morrer...
Virou-se para a porta da morada,
Buscando o vulto da mulher amada
Que nem a morte lhe fez esquecer.
Mirou os frutos de uma vida bem passada...
Os retratos de família sobre a estante
E o sorriso da flor tão adorada
Que aos poucos inundou o seu semblante.
Estava ali a estância bem cuidada...
A tropilha de mouros na mangueira,
Mil cabeças de boi nas invernadas,
E um suspiro, lembrando a vez primeira
Que um filho chorou de madrugada.
A filha, moça, preparando o mate,
O filho, homem, sua cara e jeito...
Um sentimento de missão cumprida
Coroando uma vida em arremate.
Eram os sonhos, sim, eternizados
Junto à saudade de quem já partiu...
Deixando amor e uma cruz plantada
Feito dois braços acenando ao rio.
Hoje é um dia bom pra se morrer...
Fechou os olhos, num suspiro doce...
Já tem os filhos criados,
Não deve nada a ninguém...
E já provou, pela vida,
De tudo que a vida tem.
O cachorro, companheiro, de confiança,
Chega quieto e lambe a sua mão...
A alma singra mares de distância
Além do sol que incendeia a imensidão.
Sente as plumas dos anjos, revoando,
E uma canção divina ressoando
Na calmaria do seu coração.
Hoje é um dia bom pra se morrer...
Abriu então os olhos mansamente
E mirou, logo à sua frente,
Uma luz, que fez sua alma florescer...
Hoje é um dia bom pra se morrer,
Mas não é o dia ideal...
E saiu, puxando o neto num petiçote maceta...
Viver é bom, afinal!!!
15.8.12
O que é a NOSSA sociedade afinal?
O que é sociedade? (Sei que como uma bacharel em física, não deveria citar o wikipedia como fonte, mas na impossibilidade de algo mais referenciável no momento) SOCIEDADE
Achei a definição um tanto ampla e até compatível com o conceito que intuitivamente eu faço, fazia sobre a palavra sociedade. Sociedade é um sistema semi-aberto... uma sociedade é uma rede de relacionamento de pessoas... e tem gente que até dúvida que sociedade de fato exista. Em minha mente quando me refiro a sociedade, penso mais no conjunto de valores, costumes, regras, morais que impregnam nossas vidas.
É óbvio que esse conjunto de parâmetros que "moldam" a maneira como as pessoas vivem aqui no Brasil, é muito distinto do que na Somália, por exemplo. Mas é inegável que na era da globalização, da informação, a tendência é que esses valores se miscigenem e isto está acontecendo muito rápido, e estamos vivendo esta mudança, talvez por isso seja tão difícil percebê-la.
A sociedade brasileira, ou o inconsciente coletivo da sociedade brasileira é formado por tantas influências: indígena, portuguesa, espanhola, norte-americana, africana, italiana, alemã, etc... por um lado não fazemos parte de nenhuma delas, por outro somos todas elas.
Quando em textos anteriores, usei o termo nossa sociedade estava generalizando ao extremo sim, estava falando em termos mundiais, e também estava sendo extremamente especialista. Porque ao falar da condição das mulheres, me referia às africanas mutiladas, às muçulmanas queimadas com ácido, e também estava falando da minha condição. Eu sofro preconceito quase todos os dias, aqui no Brasil, em Novo Hamburgo, me sinto sim agredida e desrespeitada frequentemente. Sim sei que minha condição é infinitamente melhor aqui do que na maioria dos países do mundo, mas isso não invalida o sexisismo ao qual sou submetida. Não estou sendo eu sexista aqui também, nunca disse que esse insulto parte apenas de homens não, pelo contrário.
Sei que é duro dissertar sobre isso, e principalmente sei como pode parecer incompreensível esta questão para quem não a sofre, e ou não a pratica. Mas sim ainda hoje, nós mulheres somos submetidas a valores, visões e costumes machistas. E eu já fui discriminada em quase todos os níveis sócio-culturais desse país.
Achei a definição um tanto ampla e até compatível com o conceito que intuitivamente eu faço, fazia sobre a palavra sociedade. Sociedade é um sistema semi-aberto... uma sociedade é uma rede de relacionamento de pessoas... e tem gente que até dúvida que sociedade de fato exista. Em minha mente quando me refiro a sociedade, penso mais no conjunto de valores, costumes, regras, morais que impregnam nossas vidas.
É óbvio que esse conjunto de parâmetros que "moldam" a maneira como as pessoas vivem aqui no Brasil, é muito distinto do que na Somália, por exemplo. Mas é inegável que na era da globalização, da informação, a tendência é que esses valores se miscigenem e isto está acontecendo muito rápido, e estamos vivendo esta mudança, talvez por isso seja tão difícil percebê-la.
A sociedade brasileira, ou o inconsciente coletivo da sociedade brasileira é formado por tantas influências: indígena, portuguesa, espanhola, norte-americana, africana, italiana, alemã, etc... por um lado não fazemos parte de nenhuma delas, por outro somos todas elas.
Quando em textos anteriores, usei o termo nossa sociedade estava generalizando ao extremo sim, estava falando em termos mundiais, e também estava sendo extremamente especialista. Porque ao falar da condição das mulheres, me referia às africanas mutiladas, às muçulmanas queimadas com ácido, e também estava falando da minha condição. Eu sofro preconceito quase todos os dias, aqui no Brasil, em Novo Hamburgo, me sinto sim agredida e desrespeitada frequentemente. Sim sei que minha condição é infinitamente melhor aqui do que na maioria dos países do mundo, mas isso não invalida o sexisismo ao qual sou submetida. Não estou sendo eu sexista aqui também, nunca disse que esse insulto parte apenas de homens não, pelo contrário.
Sei que é duro dissertar sobre isso, e principalmente sei como pode parecer incompreensível esta questão para quem não a sofre, e ou não a pratica. Mas sim ainda hoje, nós mulheres somos submetidas a valores, visões e costumes machistas. E eu já fui discriminada em quase todos os níveis sócio-culturais desse país.
legenda: Foto tirada em Conceição do Jacuípe, Bahia, em fevereiro de 2012. Cidade onde conheci mulheres fantásticas, que marcaram minha vida.
14.8.12
Paciência, medo, medo e paciência!
Um amigo me diz, não raro: As vezes nem tu te aguenta, né?
E a frase é absolutamente verdadeira, nem eu me aguento. Eu penso tanto, exijo tanto de mim, que isso me sufoca, me sinto afogada na minha inconformidade. O que já me fez repudiar esse meu cérebro pensante. A querer simplesmente viver a merce da sociedade e a me adequar a padrões pré concebidos de felicidade. E não tenho vergonha em admitir que achei que esse fosse o jeito de ser mais feliz, ledo engano. Me mutilei, me senti ainda mais rejeitada por mim mesma, mais miserável. Me senti pobre, paupérrima, inútil.
Este amigo tenta a cada dia me mostrar que preciso ter paciência comigo, a formular melhor meus pensamentos, a me mostrar ao mundo. A não ter medo de mim, e que o único caminho que tenho é me aceitar, é pra me aceitar é preciso que eu aprenda a ser eu. E é difícil aguentar o tranco, é tanta sensualidade, é tanta paixão, é tanta inconformidade, é tanta energia, é tanta exigência, é tanto medo, tanta impaciência.
E a frase é absolutamente verdadeira, nem eu me aguento. Eu penso tanto, exijo tanto de mim, que isso me sufoca, me sinto afogada na minha inconformidade. O que já me fez repudiar esse meu cérebro pensante. A querer simplesmente viver a merce da sociedade e a me adequar a padrões pré concebidos de felicidade. E não tenho vergonha em admitir que achei que esse fosse o jeito de ser mais feliz, ledo engano. Me mutilei, me senti ainda mais rejeitada por mim mesma, mais miserável. Me senti pobre, paupérrima, inútil.
Este amigo tenta a cada dia me mostrar que preciso ter paciência comigo, a formular melhor meus pensamentos, a me mostrar ao mundo. A não ter medo de mim, e que o único caminho que tenho é me aceitar, é pra me aceitar é preciso que eu aprenda a ser eu. E é difícil aguentar o tranco, é tanta sensualidade, é tanta paixão, é tanta inconformidade, é tanta energia, é tanta exigência, é tanto medo, tanta impaciência.
Gabriela...
Uma das personagens que mais toma minha atenção é Malvina. Malvina tem tanta raiva, tanta inconformidade, tanto desejo de liberdade. Amo seus diálogos inteligentes, amo sua maneira de lutar pelo que quer. Amo me identificar com ela.
Eis uma cena linda, aproveitem!
http://tvg.globo.com/novelas/gabriela/videos/t/cena/v/malvina-comparece-ao-velorio-de-sinhazinha-e-osmundo/2078767/
Gosto tanto de Gabriela, se sua maneira livre de observar a sociedade. De seus questionamentos infantis, e tão carregados de crítica a um comportamento imposto!
http://tvg.globo.com/novelas/gabriela/capitulo/o-padre-diz-a-nacib-que-nao-pode-casa-lo-com-gabriela.html#cenas/2069777
Eis uma cena linda, aproveitem!
http://tvg.globo.com/novelas/gabriela/videos/t/cena/v/malvina-comparece-ao-velorio-de-sinhazinha-e-osmundo/2078767/
Gosto tanto de Gabriela, se sua maneira livre de observar a sociedade. De seus questionamentos infantis, e tão carregados de crítica a um comportamento imposto!
http://tvg.globo.com/novelas/gabriela/capitulo/o-padre-diz-a-nacib-que-nao-pode-casa-lo-com-gabriela.html#cenas/2069777
13.8.12
continuando com as expectativas...
Em um diálogo recente uma amiga me diz:
- Tu espera demais das pessoas!
- Espero demais? Só espero respeito e isso é pedir demais?
- Sim. Hoje em dia ninguém mais respeita ninguém.
- Eu não sou todo mundo. O mais triste disso é que toda as vezes que alguém não me dá nem o mínimo que eu espero, eu vou perdendo a fé nas pessoas.
- Ah Kelen, a noite é assim. É um grande parque de diversões e as pessoas só estão se divertindo.
- Tudo bem eu aceito isso. Desde que eu não seja o brinquedo.
- Não é na noite que vais encontrar o que procura.
- A questão é essa, eu não estou procurando ninguém. Só gosto de conhecer pessoas. Gosto de pessoas, mas a maioria só gosta de si mesmo!
Boa semana!
- Tu espera demais das pessoas!
- Espero demais? Só espero respeito e isso é pedir demais?
- Sim. Hoje em dia ninguém mais respeita ninguém.
- Eu não sou todo mundo. O mais triste disso é que toda as vezes que alguém não me dá nem o mínimo que eu espero, eu vou perdendo a fé nas pessoas.
- Ah Kelen, a noite é assim. É um grande parque de diversões e as pessoas só estão se divertindo.
- Tudo bem eu aceito isso. Desde que eu não seja o brinquedo.
- Não é na noite que vais encontrar o que procura.
- A questão é essa, eu não estou procurando ninguém. Só gosto de conhecer pessoas. Gosto de pessoas, mas a maioria só gosta de si mesmo!
Boa semana!
6.8.12
Liberdade, Expectativa e Realização
O que é afinal essa liberdade que eu tanto procuro? Quero eu mandar o mundo se catar? Não, não acho que seja essa a liberdade que procuro, eu me importo com o mundo. Me importo com os sentimentos alheios. Quero a liberdade da auto-suficiência? Não, definitivamente não é essa a liberdade que almejo, já fui por esse caminho e não me realizou, sei que preciso das pessoas na construção da minha felicidade.
Acho que a minha liberdade está em simplesmente ser aceita por quem sou, por aqueles amo. Parece tão simples, mas é tão difícil ao mesmo tempo, principalmente quando quem mais se ama não faz a mínima ideia de quem eu sou, do que gosto, ou do que me realiza? E quando as pessoas que amo tentam enquadrar-me dentro de um molde pré-concebido de perfeição? Como lido com essa não aceitação? Como faço eu pra viver a minha liberdade? Tento me enquadrar, e me mutilo? Não me enquadro, e vivo em eterna briga? Mas e até que ponto fazer com os outros me aceitem, não é mutilá-los? Não sei como conseguirei equilibrar as expectativas, minhas e daqueles que amo. Acho que a verdadeira libertação que estou em busca é libertar-me dessas expectativas.
E um problema tão pequeno, tão familiar pode ser expandido para a intolerância religiosa, eis que mais uma vez um americano mata muçulmanos por não aceitar suas diferenças. Até quando as pessoas relutarão em aceitar que cada pessoa tem sua verdade, sua realidade, e que não é preciso entender os motivos, compactuar com as crenças, para simplesmente aceitar que diferenças existem. E pra se viver em harmonia não é necessário que todos pensem iguais, mas é aceitar exatamente as diferenças. Qualquer forma de radicalismo é cego.
Me lembro agora das olimpíadas, os brasileiros que voltaram pra casa com o ouro, foram aqueles aos quais não criamos expectativas, aqueles que não tinham a responsabilidade de trazer um ouro olímpico para o brasil. A vida, e as conquistas se tornam muito pesadas quando colocamos expectativas em nossos objetivos, quando exigimos de nós mesmos a perfeição, e não aceitamos nada menos, e a imagem do Cielo me vem a mente. Ele com três medalhas olímpicas se sente um perdedor, chora e pede desculpas por ter decepcionado uma nação, uma família, mas acho que o único que realmente ficou decepcionado foi o próprio Cielo, pois sabia de seu potencial e não conseguiu confirmá-lo. Não conseguiu? Acho que sim, conseguiu sim, muitas vezes na vida, não é só de nossas habilidades que as conquistas são feitas, mas um pouco de sorte e da ajuda dos outros também. O Cielo fez o melhor que pode, os Francês deu seu melhor, e nesse dia saiu campeão.
Freud já dizia: "poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons". Existe um caminho onde não colamos expectativas em nossos objetivos, aonde não esperemos de nós aquilo que queremos de nós? É possível se realizar naquilo que almejamos sem colocar expectativas nisso? Tornar o percurso mais leve e ficar mais feliz com o resultado, mesmo que seja um bronze? O que é muito melhor do que nenhuma medalha no peito. Se eu descobrir a formula eu volto pra contar!
É preciso aprender a voar com os pés bem presos ao chão!
Acho que a minha liberdade está em simplesmente ser aceita por quem sou, por aqueles amo. Parece tão simples, mas é tão difícil ao mesmo tempo, principalmente quando quem mais se ama não faz a mínima ideia de quem eu sou, do que gosto, ou do que me realiza? E quando as pessoas que amo tentam enquadrar-me dentro de um molde pré-concebido de perfeição? Como lido com essa não aceitação? Como faço eu pra viver a minha liberdade? Tento me enquadrar, e me mutilo? Não me enquadro, e vivo em eterna briga? Mas e até que ponto fazer com os outros me aceitem, não é mutilá-los? Não sei como conseguirei equilibrar as expectativas, minhas e daqueles que amo. Acho que a verdadeira libertação que estou em busca é libertar-me dessas expectativas.
E um problema tão pequeno, tão familiar pode ser expandido para a intolerância religiosa, eis que mais uma vez um americano mata muçulmanos por não aceitar suas diferenças. Até quando as pessoas relutarão em aceitar que cada pessoa tem sua verdade, sua realidade, e que não é preciso entender os motivos, compactuar com as crenças, para simplesmente aceitar que diferenças existem. E pra se viver em harmonia não é necessário que todos pensem iguais, mas é aceitar exatamente as diferenças. Qualquer forma de radicalismo é cego.
Me lembro agora das olimpíadas, os brasileiros que voltaram pra casa com o ouro, foram aqueles aos quais não criamos expectativas, aqueles que não tinham a responsabilidade de trazer um ouro olímpico para o brasil. A vida, e as conquistas se tornam muito pesadas quando colocamos expectativas em nossos objetivos, quando exigimos de nós mesmos a perfeição, e não aceitamos nada menos, e a imagem do Cielo me vem a mente. Ele com três medalhas olímpicas se sente um perdedor, chora e pede desculpas por ter decepcionado uma nação, uma família, mas acho que o único que realmente ficou decepcionado foi o próprio Cielo, pois sabia de seu potencial e não conseguiu confirmá-lo. Não conseguiu? Acho que sim, conseguiu sim, muitas vezes na vida, não é só de nossas habilidades que as conquistas são feitas, mas um pouco de sorte e da ajuda dos outros também. O Cielo fez o melhor que pode, os Francês deu seu melhor, e nesse dia saiu campeão.
Freud já dizia: "poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons". Existe um caminho onde não colamos expectativas em nossos objetivos, aonde não esperemos de nós aquilo que queremos de nós? É possível se realizar naquilo que almejamos sem colocar expectativas nisso? Tornar o percurso mais leve e ficar mais feliz com o resultado, mesmo que seja um bronze? O que é muito melhor do que nenhuma medalha no peito. Se eu descobrir a formula eu volto pra contar!
É preciso aprender a voar com os pés bem presos ao chão!
2.8.12
Mulheres maravilhas? Não, não, só seres humanos do gênero feminino
Estou lendo "O segundo sexo" de Simone de Beauvoir, tido por muitos como a bíblia do feminismo, embora Simone ao escrevê-lo nem ao menos se considerava feminista. O livro, em sua primeira parte, faz um relato histórico da condição feminina. É uma obra prima muito bem embasada e referenciada. É chocante perceber ao lê-lo que nossa condição como mulher só tenha começado a mudar com a revolução industrial, onde as mulheres se tornaram mão de obra barata. E me atrevo a dizer que a mulher, assim como as crianças só se tornaram "Seres Humanos" iguais quando se tornaram além de mão de obra, consumidores.
Sou uma crítica ferrenha ao capitalismo, ou melhor a nossa sociedade de consumo desenfreado, mas é preciso reconhecer os benefícios que ela trouxe a nós mulheres e as crianças, que deixamos nossa condição inferior para nos tornar consumidores IGUAIS.
Contudo a criação de leis que legitimam a igualdade entre homens e mulheres não é garantia de uma sociedade igualitária para os gêneros. E hoje sofremos um preconceito velado. Não nos é permitido usar a palavra feminista, a ela foi atribuída uma conotação pejorativa. Uma mulher que se autodenomina feminista é tida como radical. Mas afinal o que é o feminismo? O movimento feminista surgiu em meados do século XIX, e tinha como principal bandeira a igualdade, a igualdade de direitos e deveres, civis, criminais, educacionais, etc... Então sim eu ainda hoje sou uma mulher feminista! Porque ainda existem desigualdades a serem superadas, preconceitos a serem derrubados. Mulheres sofrem e são vítimas de violências todos os dias em muitos lugares do mundo. Muito avanço já foi feito, e muito há por fazer.
Nós mulheres somos livres, e independentes há pouquíssimo tempo, e ainda estamos engatinhando na arte de viver em pé de igualdade, sem precisar provar nada. Me remeto a frase de outra escritora fenomenal, Clarice Lispector, do livro A paixão segundo G.H., que li há alguns anos atrás, "É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que me achar seja de novo a mentira de que vivo" esta frase chega a doer quando leio, e explica um pouco a dor que nós mulheres sentimos ao vivenciar essa experiencia libertadora. Porque perder-se neste caso se refere a tudo que é novo, ao mundo novo que a igualdade feminina nos traz. Acho sim que muitas mulheres estão tentando se achar, e prendendo-se a mentiras, a falsas ilusões de liberdade. Têm-se negado a perder-se e viverem perdidas na liberdade.
Na ausência de uma versão melhor: deixo pra vocês uma música que traduz a alma da mulher moderna. Combina com o texto! Nega marrenta!
A segunda música, é um pouco como nos sentimos frente a nós mesmo! Excelente interpretação de Marisa Monte!
Sou uma crítica ferrenha ao capitalismo, ou melhor a nossa sociedade de consumo desenfreado, mas é preciso reconhecer os benefícios que ela trouxe a nós mulheres e as crianças, que deixamos nossa condição inferior para nos tornar consumidores IGUAIS.
Contudo a criação de leis que legitimam a igualdade entre homens e mulheres não é garantia de uma sociedade igualitária para os gêneros. E hoje sofremos um preconceito velado. Não nos é permitido usar a palavra feminista, a ela foi atribuída uma conotação pejorativa. Uma mulher que se autodenomina feminista é tida como radical. Mas afinal o que é o feminismo? O movimento feminista surgiu em meados do século XIX, e tinha como principal bandeira a igualdade, a igualdade de direitos e deveres, civis, criminais, educacionais, etc... Então sim eu ainda hoje sou uma mulher feminista! Porque ainda existem desigualdades a serem superadas, preconceitos a serem derrubados. Mulheres sofrem e são vítimas de violências todos os dias em muitos lugares do mundo. Muito avanço já foi feito, e muito há por fazer.
Nós mulheres somos livres, e independentes há pouquíssimo tempo, e ainda estamos engatinhando na arte de viver em pé de igualdade, sem precisar provar nada. Me remeto a frase de outra escritora fenomenal, Clarice Lispector, do livro A paixão segundo G.H., que li há alguns anos atrás, "É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que me achar seja de novo a mentira de que vivo" esta frase chega a doer quando leio, e explica um pouco a dor que nós mulheres sentimos ao vivenciar essa experiencia libertadora. Porque perder-se neste caso se refere a tudo que é novo, ao mundo novo que a igualdade feminina nos traz. Acho sim que muitas mulheres estão tentando se achar, e prendendo-se a mentiras, a falsas ilusões de liberdade. Têm-se negado a perder-se e viverem perdidas na liberdade.
Na ausência de uma versão melhor: deixo pra vocês uma música que traduz a alma da mulher moderna. Combina com o texto! Nega marrenta!
A segunda música, é um pouco como nos sentimos frente a nós mesmo! Excelente interpretação de Marisa Monte!
31.7.12
Oração ao vinho
Oração ao vinho
Líquido sagrado possui status de Deus;
Denominado Dionísio, pelos gregos antigos,
Deus Baco pelos romanos foste chamado.
Vinho filho da uva, açúcar transmutado em álcool;
Envolve-nos, transforma-nos com seus aromas e delicadas sutilezas,
Não é o solo, não é a casta,
não é a barrica quem te fazem único;
É a mistura, a miscigenação aliada ao tempo.
Tempo, só o tempo é capaz de aprimorar-te,
conferir-te complexibilidade.
Há 8000 anos somos seduzidos pelos teus aromas, tuas sutilezas, teus sabores
Há 8000 anos evoluímos na arte de te apreciar.
24.7.12
Que tal um pouquinho de álcool??
Pessoal estou numa nova empreitada, a mais importante e mais difícil delas, encontrar meu lugar nesse nosso mundo louco, para isso a busca por desvendar minhas facetas, meus limites, meus valores meus gosto é um tanto dolorida e prazerosa!
Bom tudo isso pra falar dos vinhos e das cervejas que amo tanto. Sexta feira, quando minha prima pediu uma taça de vinho suave, olhei em seus olhos e lhe disse:
- Precisa aprender a tomar vinho seco!
- Porque? - me respondeu ela.
- Porque ao se conhecer os sabores, desvendar os aromas, reparar nas sutilezas que os diferenciam evoluímos como seres humanos, começamos a desvendar os sentimentos, reparar nas sutilezas dos gestos e palavras, e conhecemos melhor a nós mesmo! O açúcar funciona como um anti-depressivo, mascara o que devia ser evidente, adormece.
Não acho que a cerveja tenha esse mesmo poder de influência sobre as pessoas. A cerveja é uma cola, une, a cerveja é o fermento da amizade, claro que grandes amizades se dão sem sua presença, mas quando há cerveja, só existe aceitação, as diferenças são esquecidas, as mágoas ficam no passado...
Sou completamente apaixonada por esses dois líquidos, cada qual ao seu estilo, cada um tem um pouquinho de mim, e eu pouquinho deles. Aprendi muito com eles.
Atenção pessoal: Beba com moderação! E se beber
não dirija!
Bom tudo isso pra falar dos vinhos e das cervejas que amo tanto. Sexta feira, quando minha prima pediu uma taça de vinho suave, olhei em seus olhos e lhe disse:
- Precisa aprender a tomar vinho seco!
- Porque? - me respondeu ela.
- Porque ao se conhecer os sabores, desvendar os aromas, reparar nas sutilezas que os diferenciam evoluímos como seres humanos, começamos a desvendar os sentimentos, reparar nas sutilezas dos gestos e palavras, e conhecemos melhor a nós mesmo! O açúcar funciona como um anti-depressivo, mascara o que devia ser evidente, adormece.
Não acho que a cerveja tenha esse mesmo poder de influência sobre as pessoas. A cerveja é uma cola, une, a cerveja é o fermento da amizade, claro que grandes amizades se dão sem sua presença, mas quando há cerveja, só existe aceitação, as diferenças são esquecidas, as mágoas ficam no passado...
Sou completamente apaixonada por esses dois líquidos, cada qual ao seu estilo, cada um tem um pouquinho de mim, e eu pouquinho deles. Aprendi muito com eles.
Atenção pessoal: Beba com moderação! E se beber
não dirija!
28.11.11
A Polêmica de Belo Monte
Acho extremamente difícil defender uma posição tanto a favor ou contra a construção de Belo Monte, contudo o engajamento da sociedade em uma área de interesse estratégico é salutar em qualquer país minimamente civilizado. O papel que as mídias sociais exercem sobre o papel político de cada cidadão e a maneira como podemos dar voz as nossas opiniões é um exercício da democracia que deve causar inveja aos antigos gregos. O que me preocupa no entanto é o fato dos "facebookianos" não refletirem de fato sobre o conteúdo de seus compartilhamentos.
Atualização: Não consegui terminar de lé-lo, mas eis um site, aparentemente sério, com informações valiosas a respeito do projeto da construção da hidroelétrica de Belo Monte. assistam também ao vídeo produzido pelos estudantes de engenharia civil e economia da Unicamp a respeito da polêmica, contudo não deixe de prestar atenção ao último trecho do vídeo: INFORME-SE!
Como aconteceu com o vídeo do movimento gota d'agua na semana passada, e eu me pergunto quantas das pessoas que o transformaram num viral foram atrás de mais informações? Pois bem eu fui. E posto aqui também um vídeo com alguns números a cerca desta grandiosa construção. Não e um uma mega produção executada por atores globais, por isso não teve um décimo do alcance do filme anterior.
Logo eu gostaria que você, que está lendo este texto agora, se perguntasse: até que ponto fui e sou influenciado por uma ação de marketing bem feita? Eu realmente coloquei na balança os prós e os contras desse problema na hora de decidir um lado? Existe um lado a favor e outro contra?
Por favor não deixem de ler essa entrevista que a Marina Silva concedeu ao site do terra na época que o edital para a construção da usina foi realizado.
Pessoal, não quero aqui levantar uma bandeira a favor ou contra a construção de Belo Monte, nem tão pouco quero ficar em cima do murro, quero apenas levantar questões relevantes que me ajudem a definir o que é melhor pra mim e para os meus compatriotas e nossas gerações futuras. Quero que você leitor tenha argumentos para refletir sobre o assunto e deixe de compartilhar videos simplesmente porque os outros estão fazendo, mas que isso seja feito baseado em informações sólidas, com referências em embasamento técnico. Que você tenha argumentos pra decidir e não fazê-lo porque alguém falou bonitinho e o convenceu. Quero que coloque o dedo na consciência e se pergunte: quais os dados reais que você sabe sobre esta obra?
Mais uma dica de vídeo, este sobre filosofia.
"Quem foi que disse que o povo sabe o que é melhor pra ele?" Sócrates
Atualização: Não consegui terminar de lé-lo, mas eis um site, aparentemente sério, com informações valiosas a respeito do projeto da construção da hidroelétrica de Belo Monte. assistam também ao vídeo produzido pelos estudantes de engenharia civil e economia da Unicamp a respeito da polêmica, contudo não deixe de prestar atenção ao último trecho do vídeo: INFORME-SE!
22.11.11
Auroras
Eu sou apaixonada por auroras! As imagens são lindíssimas confira o vídeo feito através de fotografias obtidas pela estação internacional de agosta a outubro de 2011.
PS: Os flashs luminosos que observamos são raios!
17.5.11
Novos Horizontes....
Pessoal,
Peço para que quem acompanha este blog, e torce por mim, tenha um pouco de paciência, pois devo ficar afastada do blog por algum tempo.
Mas ele é muito importante pra mim, ocupa um lugar especial dentro do meu coração, e espero voltar muito em breve.
Mas no momento preciso me afastar em busca de novos projetos e realizações. Assim que tudo se concretizar venho aqui comunicá-los!
Beijão a quem me acompanhou, sugeriu, criticou, leu, se divertiu! Até breve!
Peço para que quem acompanha este blog, e torce por mim, tenha um pouco de paciência, pois devo ficar afastada do blog por algum tempo.
Mas ele é muito importante pra mim, ocupa um lugar especial dentro do meu coração, e espero voltar muito em breve.
Mas no momento preciso me afastar em busca de novos projetos e realizações. Assim que tudo se concretizar venho aqui comunicá-los!
Beijão a quem me acompanhou, sugeriu, criticou, leu, se divertiu! Até breve!
6.4.11
Viagem sensacional
Aqui estão dois planetários virtuais que eu tive acesso esta semana. Ambos são lindos e nos permitem "brincar" pelo sistema solar, podemos mudar da visão heliocêntrica para a geocêntrica e observar a revolução dos sistemas. Esses planetários me fizeram lembrar um trabalho que fiz na quarta série do primeiro grau sobre sistema solar, na época não tínhamos acesso a internet, os livros eram nossas únicas fontes de informação, pelo menos os livros eram confiáveis. Hoje com a popularização da internet as pessoas escrevem o que querem sem revisão nenhuma e existe uma exorbitante quantidade de conteúdo inútil, ao fazer uma pesquisa simples pela net eu passo mais tempo tentando encontrar uma fonte confiável do que encontrar artigos sobre os temas pesquisados! Clique nas imagens para iniciar a fantástica viagem pelo sistema solar!
Se tivesse que escolher um ficaria com o segundo! Mas ambos tem características distintas, no primeiro pode-se identificar as estrelas, no segundo é possível ver os satélites de Júpiter, o cinturão de asteróides, a via láctea. Explore esses planetários! Se você colocar a Terra como o centro desse sistema você estará vivenciando uma viagem no tempo e irá voltar para a idade média. Fazem apenas 400 que Kepler calculou com precisão a órbita de Mercúrio, mas somente com Newton cerca de 100 anos depois é que estes resultados ganharam força. Há apenas 300 anos podemos afirmar que Sol está no centro do nosso sistema solar, por vezes esquecemos que estamos no meio da maior revolução do pensamento humano, que todo o conhecimento que nos rodeia é fruto de ciência desenvolvida tão recentemente. Que a aplicação desse conhecimento em tecnologia é ainda mais recente.
DICAS,DICAS!!!
- No astronews você irá encontrar além do mapa do céu, informações sobre quando a Estação espacial internacional irá passar sobre a sua cidade, imagens ao vivo do sol, e ficar por dentro dos eventos astronômicos que estão por vir, além de curiosidades e história do desenvolvimento da astronomia.
- Este artigo: O universo não foi feito para nós, sobre filosofia da ciência com vídeos do Carl Sagan mexe com nossos valores e a real importância que damos ao subjetivo e ao nosso querido planeta Terra. Não deixe de assistir. Vendo estes vídeos fui obrigada a procurar a série cosmos, já consegui o link e estou baixando, já procurei as legendas em português e as encontrei \o/\o/. Se alguém tiver interesse me pergunte como.
5.4.11
Divulgação científica e o puritanismo de linguagem
Neste blog eu tenho a pretensão de fazer um pouco de divulgação científica, tentando informar e despertar curiosidade sobre temas atuais ou apenas divertidos em ciência e tecnologia. por vezes contar histórias, angustias, impressões e dicas a cerca deste mundo que pode parecer muito distante de nós, porém que nos rodeia tão de perto. Sem o desenvolvimento da ciência neste último século você nem estaria lendo este post no seu computador pessoal.
Nestas últimas semanas passei um bom tempo sozinha, devorei um livro sobre divulgação científica e história da ciência: A Dança do Universo do astrofísico brasileiro Marcelo Gleiser. O livro é excelente faz um apanhado muito amplo sobre a evolução do pensamento científico, desde a grécia antiga, dos filósofos pré-socrasticos até a visão sobre o modelo de universo aceito atualmente. Por se tratar de um livro de divulgação científica ele não apresenta nenhuma equação em seu texto, e não comete nenhum erro grotesco com a física atual. As primeiras páginas são cansativas e o autor parece um pouco prolixo, mas com a continuidade da leitura ela fica mais interessante e convidativa. Procurando resenhas sobre o livro encontrei dois artigos que fazem uma análise detalhada sobre os "erros" ou "equívocos" cometidos pelo autor. (física clássica, física moderna) Achei a análise dos artigos impecáveis, e confesso que alguns dos "enganos" passaram desapercebidos por mim. Ler estes artigos me fez repensar qual papel da divulgação científica. Acho que a divulgação não tem a pretensão da formação científica, quando um cientista ou um jornalista científico se propõe a falar sobre ciência não tem a esperança que alguém lendo seu livro, artigo, ou mesmo um post em um blog pouco acessado, como este, se tornará possuidor daquele conhecimento. O que aprendi neste meus anos de estudo é que além de inteligência é necessário muita bunda pra se conseguir aprender física.
A disciplina que eu lecionava para alunos de engenharia, química e matemática da UFRGS, Eletromagnetismo, é um curso de 6 créditos, isto é, eu dava a cada turma 3 aulas de 1:40h por semana durante um semestre inteiro e os alunos ainda tinham muitos exercícios para fazerem em casa, além dos relatórios sobre as aulas de laboratório, e mesmo com todo este tempo despendido para a cadeira o índice de aprovação girava em torno dos 60%. Não se esqueçam que estamos falando dos melhores alunos de engenharia que se pode ter. Disserto a cerca desta experiência para justificar o fato de que mesmo tendo interesses em física aprender sobre uma disciplina de física clássica é capaz de reprovar 40% de excelentes alunos. Como um livro que gasta meia dúzia de páginas, sem apresentar uma única equação, poderia ter a pretensão de ensinar física?
Não quero, em hipótese alguma, fazer apologias ao descaso com a física ao se fazer divulgação, apenas salientar que muitas vezes um cuidado exagerado com a linguagem científica podem fazer com que eles percam a sua função. A função da divulgação deve ser sempre informar, instigar, desmistificar e tornar a ciência algo mais popular e não o bicho de sete cabeças, que muitos pensam.
Ajude na discussão deste tema. Dê sua opinião! Comente o post!
4.4.11
A forma da Terra mudou?
No último dia 31 de março a ESA (agência espacial européia) divulgou os mais recentes resultados da exploração do satélite GOCE (Gravity field and steady-state Ocean Circulation Explorer) que podem ser vistos na animação abaixo. O que de fato este vídeo nos apresenta é uma visualização do campo gravitacional da Terra. NÃO É UMA REPRESENTAÇÃO DO FORMATO DA TERRA, o que muitos sites, inclusive jornais confiáveis na praça, vem afirmando nos últimos dias. A Terra continua tendo sua forma ovalada como podemos observar na imagem do nosso planeta tirada da lua (foto da NASA, clique no link para obter maiores informações da imagem).
O que o vídeo apresenta é qual a altura em relação ao centro da Terra em que a aceleração da gravidade é constante, isto é, possui o mesmo valor numérico. Você deve estar se perguntando mas a aceleração da gravidade não é uma constante? Sei que no colégio você aprendeu que g valia 9,81 m/s2 e muitas vezes você aproximava para 10 m/s2 , lembrou? Pois é, na verdade ela não é uma constante, apenas a consideramos assim para facilitar nossa compreensão e ajudar a resolver problemas simples.
O que este satélite fez foi justamente mapear qual a aceleração da gravidade, e portanto o campo gravitacional, da Terra em todos os pontos do globo com uma precisão incomparável. Mapeando o geóide da Terra, muito cuidado com essa palavrinha simples, o que ela significa é exatamente é: Forma teórica da Terra em que se assume a continuidade da superfície oceânica através dos continentes e de tal maneira que em qualquer ponto dela se tem a linha vertical de prumo, gravitacional, como perpendicular dessa superfície. (fonte) Geóide é o nome que se dá ao equipotencial gravitacional da Terra, e não tem relação alguma com a forma física, real, da Terra. (Falar em aceleração da gravidade só faz sentido se o corpo está sob influência de uma força resultante e esta seja a gravitacional, no entanto o campo gravitacional existe independente da existência de uma aceleração. Por exemplo seu peso pode ser calculado como P = m.g, no entanto você está em equilibrio, e não está sendo acelerado, g neste caso é o módulo do campo gravitacional da Terra.)
E porque é necessário conhecer esse geóide a tal ponto dele ter um nome exclusivo? Determinar o campo gravitacional da Terra é de suma importância para fazermos previsões sobre mudanças nos níveis das marés, sobre medidas de circulação das correntes d'água os oceanos, sobre a dinâmica do gelo, fatores que influenciam diretamente o clima global.
Entender o comportamento do campo gravitacional da Terra poderá ajudar a compreender o que se passa no interior do nosso planeta, pois ele é uma demonstração das anomalias de densidade da Terra, sem contar que poderá ser útil na previsão de terremotos, uma vez que a ocorrência de um terremoto deixa uma assinatura no campo gravitacional.
Procurando maiores informações sobre o satélite GOCE encontrei este site que possui uma lista dos satélites em órbita, futuros satélites a serem lançados e satélites que já estão desativados. Além da listagem é possível obter informações sobre as missões, propósito, duração, tempo de atividade do satélite, quais os instrumentos de análise que estão a bordo da nave, entre outras informações vale a pena conferir.
27.3.11
Ser Cientista
A ciência é uma profissão ingrata. Não sei se posso me habilitar a escrever sobre ser cientista uma vez que ainda não tenho certeza se é essa a profissão que de fato eu escolhi pra mim. No entanto este post pode esclarecer dúvidas a cerca do assunto. Acho que o que me frustra é a imagem que criei sobre O CIENTISTA, coloquei-o no roll dos Deuses, alguém que nunca falha, que sabe tudo, proprietário de uma visão a cerca do mundo que vive, assustadoramente esclarecida, que enxerga a frente de seu tempo, nomes como: Einstein, Feynman, Tesla, Planck, Huble, Marie Curie para citar alguns.
A questão é como encaro a responsabilidade de ser chamada pelo mesmo nome que eles foram, de fazer parte da mesma classe. Acredito que seja necessário merecimento para isso, e tenho dúvidas imensas em relação a física, como posso eu concluir um doutorado e ser chamada de cientista? Sei que parece uma crise de auto-confiança e talvez seja, mas nunca quis ser medíocre, fazer a minha parte e deu, sempre quis tudo, sempre quero tudo. Se é para encarar a responsabilidade de ser um cientista, então que eu seja uma CIENTISTA com letras maiúsculas. E tenho eu competência para isso? Tenho paciência pra isso? Tenho eu curiosidade suficiente? Tenho eu determinação e obstinação pra isso? Sou eu tão desprovida de orgulho para arriscar a viver uma vida sem louros?
Tudo isso me fez lembrar uma tirinha do P.H.D. Comics, histórias em quadrinhos sobre a vida de estudantes de pós-graduação. Eu me identifico muito com os dramas da Cecilia (A personagem de blusa vermelha).
24.12.10
Porque a lua aparece avermelhada no eclipse total?
Não falei o pôrque da lua ficar avermelhada quando está completamente sob a sombra da Terra e a pergunta não tardou a surgir. O motivo é o mesmo que faz a luz do sol parecer alaranjada, por vezes avermelhada, ao entardecer. A luz ao entrar na atmosfera da Terra é refratada e parte dela é absorvida pelas moléculas dos gases que compõem nossa atmosfera, a luz vermelha, que possui um comprimento de onda maior, portanto uma energia menor, sofre menos absorção e portanto é a luz mais refletida pela atmosfera.
A luz proveniente do sol é branca, portanto poli-cromática (poli = muitas, cromática = cores), composta por "todas" as cores, quando esta luz branca passa pela atmosfera da Terra é refratada, isto é sofre um desvio na sua trajetória porque passa por um meio mais denso (a luz branca viajava pelo vácuo até encontrar as moléculas que compõem nossa atmosfera), este desvio é proporcional ao comprimento de onda da luz (para os leigos, depende da cor da luz), fazendo com que a luz se divida, uma vez que cada cor sofre um desvio diferente. A trajetória da luz de cor vermelha possui o menor desvio. Então por que só a luz vermelha chega na lua? Porque as "outras cores" são absorvidas pela atmosfera (não consegue atravessá-la). E é por isso que ao por do sol podemos observar o céu com uma cor alaranjada, no por do sol a luz precisa atravessar uma fatia muito mais espessa de gás. Para entender melhor o que acontece durante um eclipse visite o hipertexto.
Para entender melhor o fenômeno da refração, quem não conhece a clássica capa do álbum The Dark Side of de Moon (1973) do Pink Floyd? Onde um feixe de luz branca incide sobre um prisma e na saída temos um arco-íris? O que a atmosfera da Terra faz com a luz do sol é exatamente a mesma coisa que este prisma. (PS: repare que o arco-íris da capa do álbum está invertido, nele a cor que sofre o maior desvio é o violeta.)
Newton foi o primeiro a demonstrar que a luz branca é composta por todas as cores. Ele conseguiu difratar um feixe de luz branca e obteve um arco-íris, e além disso misturou as cores e formou luz branca (disco de Newton).
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