"Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura." - Charles Bukowski
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7.9.14

Por onde eu andava que não conhecia Rubem Alves???

Acabei de assistir um documentário sobre Rubem Alves que me tocou meu coração e falou muito claramente com posicionamentos que tenho a cerca do mundo, pessoas, religião, educação, envelhecer, eutanásia, e tudo isso em apenas 45 minutos. Algumas frases ainda não foram completamente assimiladas.

No link você terá acesso ao documentário: Rubem Alves, o professor de espantos.
Que é um primor, delicado, doce com uma música impecável.

"Não desejo que você simplesmente entenda o que eu escrevo, entender é um ato racional. O que eu quero é que meu texto seja comido antropofagicamente. Quero que você sinta meu gosto. Desejo que meus leitores ao lerem meus textos fiquem com olhos semelhantes aos meus, assim eles verão o mundo da forma que eu vejo, e as palavras, se tornaram, então, desnecessária."
Rubem Alves.


Preciso lê-lo urgentemente fiquei espantada com a genialidade e a lucidez deste mago brasileiro.

E eis que descubro este texto lindo:

“Educação do olhar”, por Rubem Alves


“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” – e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu.
Seu mundo se expande.
Ele fica mais rico interiormente.
E, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela
qual vivemos.
Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação –
mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à
importância do olhar na educação, em qualquer deles.
A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. É através dos olhos que as crianças tomam contato com
a beleza e o fascínio do mundo.
Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.
A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades. Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar as crianças.
Elas ainda têm olhos encantados.
Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.
Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci.
Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore, ou para
o curioso das simetrias das folhas.
Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.
As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras
para melhorar os olhos.
Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro
da gente.
Jardins bonitos há muitos, mas só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente.
São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver.
Elas não têm saberes a transmitir.
No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.”

Texto de Rubem Alves

5.2.14

Go Writers, segunda impressão

 A maneira como eu construía um texto foi de fato desconstruída! As palavras são sagradas, templos é preciso respeitá-las. Cada uma é um diamante bruto e o modo de organizá-las torna-as joias, ou pó, o lápis é a mesma ferramenta que lapida, dá brilho ou esmigalha, esfarela o sonho de um texto.

Divirta-se, transforme o exercício e o hábito em algo divertido e prazeroso. É isso que o "GO WRITERS" faz por ti. A Cris Lisboa transborda paixão em cada palavra que escreve, lê e fala, e como fala!

O Hábito leva a perfeição, como na escrita não há perfeição, o caminho é o destino, e a regra é não ter regra. Permita-se, experimente, apaixone-se, alumbre-se, modifique-se e goze, não no fim, durante, durante!




4.2.14

Go Writers

Ontem comecei um curso de escrita criativa. Esta é a primeira vez que invisto na minha formação como escritora. O desafio é tornar a escrita um hábito, entender e exaurir a técnica, para desconstrui-la de modo que o nosso eu criativo aflore. Gosto da proposta. O desafio é escrever todos os dias, utilizar o papel, mas acho que crio muito melhor na tela do que no papel, prefiro o teclado a caneta, descobri-me escritora na tela, foi aqui que deixei aflorar muito da minha personalidade, foi aqui que me descobri criativa e foi escrevendo por aqui e descobri a escrita e me entender pela escrita. Foi no computador que fiz meus diários, e escrevi bobagens, não tenho cadernos antigos, minhas confidências não estão em papel, estão na tela, armazenadas na nuvem e disponíveis em qualquer lugar que tenha internet. Escreva primeiro, edite depois. Saia da zona de conforto. Não gosto destas frases imperativas, é engraçado uma pessoa falar de processo criativo, e querer impor o processo criativo dela, como se a única maneira de criar fosse a que ela descobriu. Eu não gostei do primeiro dia. Fiquei com a impressão que a professora/escritora se acha a pessoa mais criativa do mundo, e melhor escritora do planeta. Age como se soubesse todas as respostas, não está aberta e nem tenta sair da zona de conforto, não cumpre o que nos pede. É muito difícil ser criativo sob pressão e a crítica só piora o processo e não o incentiva.



Espero sinceramente estar errada. Espero ser convencida que minhas impressões estão equivocadas e minha escrita realmente evolua, e que eu consiga atingir alguns dos objetivos que tracei para 2014. Não quero fechar minha mente à novas ideias e novas maneiras de criar e pensar, mas...