"Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura." - Charles Bukowski
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4.2.15

sobre a necessidade de escrever (entender)

Preciso escrever,
preciso escrever pra entender a dor,
pra suportar a dor;

Preciso escrever pra cutucar na ferida
pra colocar remédio lá dentro,
lá no fundo, onde nem marcas haviam;

Preciso escrever
pra que a ferida cicatrize de dentro pra fora,
vire lembrança, lembrança de guerra.

Preciso escrever
pra acelerar o tempo de cura,
pra sentir orgulho do processo e da cicatriz

Preciso escrever
pra viver, viver em busca de paz




7.9.14

Por onde eu andava que não conhecia Rubem Alves???

Acabei de assistir um documentário sobre Rubem Alves que me tocou meu coração e falou muito claramente com posicionamentos que tenho a cerca do mundo, pessoas, religião, educação, envelhecer, eutanásia, e tudo isso em apenas 45 minutos. Algumas frases ainda não foram completamente assimiladas.

No link você terá acesso ao documentário: Rubem Alves, o professor de espantos.
Que é um primor, delicado, doce com uma música impecável.

"Não desejo que você simplesmente entenda o que eu escrevo, entender é um ato racional. O que eu quero é que meu texto seja comido antropofagicamente. Quero que você sinta meu gosto. Desejo que meus leitores ao lerem meus textos fiquem com olhos semelhantes aos meus, assim eles verão o mundo da forma que eu vejo, e as palavras, se tornaram, então, desnecessária."
Rubem Alves.


Preciso lê-lo urgentemente fiquei espantada com a genialidade e a lucidez deste mago brasileiro.

E eis que descubro este texto lindo:

“Educação do olhar”, por Rubem Alves


“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” – e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu.
Seu mundo se expande.
Ele fica mais rico interiormente.
E, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela
qual vivemos.
Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação –
mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à
importância do olhar na educação, em qualquer deles.
A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. É através dos olhos que as crianças tomam contato com
a beleza e o fascínio do mundo.
Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.
A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades. Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar as crianças.
Elas ainda têm olhos encantados.
Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.
Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci.
Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore, ou para
o curioso das simetrias das folhas.
Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.
As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras
para melhorar os olhos.
Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro
da gente.
Jardins bonitos há muitos, mas só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente.
São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver.
Elas não têm saberes a transmitir.
No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.”

Texto de Rubem Alves

19.3.14

Joaquim Pessoa

Acho que me apaixonei por mais um autor... Não consigo parar de ler suas poesias! Joaquim Pessoa


Viver é...Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.

http://www.citador.pt/poemas/a/joaquim-pessoa

15.3.14

Só Paixão

A minha pele só sente o teu toque
Meus olhos só enxergam os teus,
Minhas palavras só percebem as tuas.

Meu olfato persegue teu cheiro
Minha língua saliva teu gosto
Meus ouvidos anseiam tua voz, língua e dedos

Tu despertas minha líbido, meu melhor, meu pior
Até a tortura da tua ausência me dá prazer
Tua presença afasta a solidão de ser um só
Me permites inteira, me queres inteira
Saboreia minha intensidade e me pedes mais
Deseja minha vontade e me pedes mais
Se deleita de mim, comigo, em mim, enfim...

Kelen Trentin

Encontrei essa poesia e achei justo guardá-la aqui!

Assim me perguntaste, 
assim te respondi: 
tudo é paixão.
Como não lamber 
da tua pele, o mel 
que o desejo fabrica?
E como a minha boca 
não recolher o néctar 
da tua boca?
Ou como não sorver 
das tuas mãos o pólen 
da ternura?
E se, em vez de paixão, 
for sexo apenas, 
ou loucura?
Pode até não ser amor. 
Mas, seja o que for, 
não é pior.
Joaquim Pessoa
in “Ano Comum"




14.3.14

Acho que me identifiquei...

"Não te apaixones por uma mulher que lê, por uma mulher que tem sentimentos, por uma mulher que escreve. Não te apaixones por uma mulher culta, maga, delirante, louca. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar, uma mulher confiante em si mesma.
Não te apaixones por uma mulher que ri ou chora quando faz amor, que sabe transformar a carne em espírito; e muito menos te apaixones por uma mulher que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que fica meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música.
Não te apaixones por uma mulher que está interessada em política, que é rebelde e sente um enorme horror pelas injustiças. Não te apaixones por uma mulher que não goste de assistir televisão.
Não te apaixones por uma mulher intensa, brincalhona e irreverente. Não queiras te apaixonar por uma mulher assim. Porque quando te apaixonares por uma mulher como esta, se ela vai ficar contigo ou não, se ela te ama ou não, de uma mulher assim, jamais conseguirás ficar livre."

Martha Rivera Garrido 

PS: Não conhecia a autora, fiz uma pequena pesquisa e achei possível este trecho ser dela. Eis o site que encontrei: http://subocaessumedida.wordpress.com/biografia/

Achei também este trecho em espanhol, sua língua mãe, e sabe que eu gostei mais, então vou deixá-lo aqui com tudo que mais amo, em ler, escrever, recitar e o que me faz pensar!

"No te enamores de una mujer que lee, de una mujer que siente demasiado, de una mujer que escribe…
No te enamores de una mujer culta, maga, delirante, loca.
No te enamores de una mujer que piensa, que sabe lo que sabe y además sabe volar; una mujer segura de sí misma.
No te enamores de una mujer que se ríe o llora haciendo el amor, que sabe convertir en espíritu su carne; y mucho menos de una que ame la poesía (esas son las más peligrosas), o que se quede media hora contemplando una pintura y no sepa vivir sin la música.
No te enamores de una mujer a la que le interese la política y que sea rebelde y vertigue un inmenso horror por las injusticias.Una a la que le gusten los juegos de fútbol y de pelota y no le guste para nada ver televisión. Ni de una mujer que es bella sin importar las características de su cara y de su cuerpo.
No te enamores de una mujer intensa, lúdica y lúcida e irreverente.
No quieras enamorarte de una mujer así.
Porque cuando te enamoras de una mujer como esa, se quede ella contigo o no, te ame ella o no, de ella, de una mujer así, JAMAS se regresa."

28.8.13

Encontro



 Me destes teus olhos,
 por eles vi tua alma;
Minha alma se encantou com a tua.


Dei-te minhas palavras,
tuas palavras se encantaram com as minhas;
Me destes tuas palavras.

Me destes tuas trilhas,
te dei meu escutar;
Te dei meus sabores, 
me destes tuas receitas.


Dei-te minha inspiração,
Virei à musa
Sonhei com as tuas promessas
Acordei com a tua realidade.

26.5.13

Mais que sexo

Eu não quero sexo,
eu quero mais
Eu quero pele,
Eu quero Tesão,
adrenalina,
olho no olho,
tapa na cara,
dominação.

Eu não quero um marido,
muito menos um pinto amigo,
eu quero um amante,
que também seja amigo,
e nem precisa ser meu.

Eu não quero sexo, eu quero mais
eu não quero amor eterno, basta carinho,
eu não quero fidelidade, basta respeito,
eu não quero segurança, somente cuidado
eu não quero certezas, prefiro as dúvidas.

12.12.12



Acordei sem paciência
sem paciência com a mediocridade
com a falta de comprometimento
sem paciência com o individualismo

Acordei triste
triste por ser humana
triste por minha inconformidade
triste por querer a perfeição

Fui apunhalada pelas costas
me feriram vil e profundamente
Minha alma sangra
quem me deve lealdade me trai covardemente
fica contra mim, mesmo eu estando em seu favor

Me encontro num beco sem saída
onde todos os erros do mundo fui eu quem cometeu
Toda a culpa da humanidade recaí sobre meu colo
e as lágrimas de cristo dilaceram minha carne putrefata










10.12.12

Ressaca moral




Ontem o mundo me doía então bebi
Bebi pra fazer minha cabeça aquetar
Ontem bebi até cansar

Hoje acordei de ressaca. Acordei? Ressaca?
Ainda estou sonhando
Hoje estou de ressaca
Bebi e a bebida me fez mal
Hoje estou de ressaca moral.

E o cérebro grita ainda mais alto
O mundo me doí ainda mais fundo
Hoje estou de saco cheio de ser gente
Estou de saco cheio de ser civilizada
Hoje estou de ressaca moral

De que serve a história?
Se o que é dito são estórias?
De que serve o cérebro?
Se todos gostam de obedecer ordens?

Estou de ressaca
De saco cheio
Quero continuar bebendo
nesse mundo desumano
pra quem sabe um dia acordar sem ressaca
Acordar sem cicatrizes nem marcas
Acordar em um mundo com moral


6.11.12

Eu hoje

Hoje estou mais inconformada do que de costume...
Hoje o mundo me dói
Hoje minha tristeza transborda pelos meus olhos ansiosos...
Está é a vida, está a minha realidade, está sou eu.

17.9.12

O que fazer?

Gosta de mim! Fato!
Me deixa voar? Não!
O que fiz é belo? Não é horrível!
Como gostas de mim então?
Deixa-me ir embora? Não necessito que estejas feliz perto de mim!

Se não me deixares voar, nunca ficarei feliz! Não faz mal, prefiro-te perto a feliz!
Isso é amor? Claro, não há amor maior!
Pra mim isso é amor próprio! Que seja!

Porque te sentes tão ameaço por mim?
Não quero te ameçar
Quero ser o melhor de mim
Me deixa ser

Sinto-me como um papagaio com assas cortadas
Sinto-me como passarinho engaiolado
Sinto-me triste, por meu ser te machucar
O que fazer? Para ser e te preservar?

O que fazer? O que fazer?
Se não me liberta
E não me aceita como sou..
Me queres só aos pedaços
E aos pedaços não sei ser...
 
O que fazer? O que fazer?

2.9.12


TEMPO
Viviane Mosé
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto com uma navalha fina sem raiva nem rancor o tempo riscou meu rosto com calma
(eu parei de lutar contra o tempo ando exercendo instantes acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo é o tempo na verdade faz tempo mas eu escondia porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo se você tem que me comer que seja com o meu consentimentoe me olhando nos olhos…
acho que ganhei o tempo de lá pra cá ele tem sido bom comigo dizem que ando até remoçando


27.8.12

Cântico Negro


Cântico negro


José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



PS: Meu amigo Thiago Silva me mostrou essa poesia na sexta-feira, e foi um amor instantâneo! Obriguei-me a postá-la aqui e tê-la sempre ao meu alcance. Obrigada Thiago! A interpretação de Maria Bethânia é outro presente! 
Boa Semana!

18.8.12

Hoje é um dia bom pra se morrer...

Autor: Carlos Omar Villela Gomes

Hoje é um dia bom pra se morrer...


Pensou repentinamente, sentindo a alma nos olhos...
Assuntou consigo mesmo na paz da varanda antiga...
Segredou com o silêncio que lhe fazia costado.

Hoje é um dia bom pra se morrer...

Ruminou quieto ao balanço da cadeira
Que lembrava o trote de um cavalo manso
Recorrendo o céu dalguma sesmaria.

Levantou, mirou o dia,
Que contava histórias de um tempo velho
No murmulhar da sanga, no bailar dos pássaros,
No beijar do vento sobre as casuarinas...
Matizou de sol as pálidas retinas
E assistiu a paz lhe comover.

Hoje é um dia bom pra se morrer...

Virou-se para a porta da morada,
Buscando o vulto da mulher amada
Que nem a morte lhe fez esquecer.

Mirou os frutos de uma vida bem passada...
Os retratos de família sobre a estante
E o sorriso da flor tão adorada
Que aos poucos inundou o seu semblante.

Estava ali a estância bem cuidada...
A tropilha de mouros na mangueira,
Mil cabeças de boi nas invernadas,
E um suspiro, lembrando a vez primeira
Que um filho chorou de madrugada.

A filha, moça, preparando o mate,
O filho, homem, sua cara e jeito...
Um sentimento de missão cumprida
Coroando uma vida em arremate.

Eram os sonhos, sim, eternizados
Junto à saudade de quem já partiu...
Deixando amor e uma cruz plantada
Feito dois braços acenando ao rio.

Hoje é um dia bom pra se morrer...

Fechou os olhos, num suspiro doce...

Já tem os filhos criados,
Não deve nada a ninguém...
E já provou, pela vida,
De tudo que a vida tem.

O cachorro, companheiro, de confiança,
Chega quieto e lambe a sua mão...
A alma singra mares de distância
Além do sol que incendeia a imensidão.
Sente as plumas dos anjos, revoando,
E uma canção divina ressoando
Na calmaria do seu coração.

Hoje é um dia bom pra se morrer...

Abriu então os olhos mansamente
E mirou, logo à sua frente,
Uma luz, que fez sua alma florescer...

Hoje é um dia bom pra se morrer,
Mas não é o dia ideal...
E saiu, puxando o neto num petiçote maceta...
Viver é bom, afinal!!!

31.7.12

Oração ao vinho

Oração ao vinho



Líquido sagrado possui status de Deus;

Denominado Dionísio, pelos gregos antigos,

Deus Baco pelos romanos foste chamado.
Vinho filho da uva, açúcar transmutado em álcool;
Envolve-nos, transforma-nos com seus aromas e delicadas sutilezas,

Não é o solo, não é a casta,
não é a barrica quem te fazem único;
É a mistura, a miscigenação aliada ao tempo.

Tempo, só o tempo é capaz de aprimorar-te,

conferir-te complexibilidade.
Há 8000 anos somos seduzidos pelos teus aromas, tuas sutilezas, teus sabores
Há 8000 anos evoluímos na arte de te apreciar.